Hoje dei por mim a pensar
Se existo, como supunha
Se estou no fim, no início
Ou no meio de coisa nenhuma
Os mundos em que viajo
São da maior transparência
Não tem portas nem janelas
São só reinos de aparência
E já não sei se tem corpo
Este SER onde me deito
Estou aqui pela metade
Na pena a que me sujeito
Nem sei se este gemido
Que vem do fundo do nada
É meu ou de outro qualquer
se é só dor inventada
Os meus olhos, na amplidão
Deste torturado mundo,
Vêem p’ra além da razão
O abismo lá no fundo
Porque o Deus que me inventaram
P’ra justificar a morte
Tem requintes de maldade
Deixa tudo à própria sorte
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