sábado, 16 de abril de 2011

Alma divagante

Vejo a alma perdida da cidade
a vaguear acima dos telhados
na luz do entardecer; é a saudade
e a mágoa dos vates torturados

Ouço Nemésio no seu canto de véspera.
A casa é uma concha onde adormeço
e as cortinas rosa-chá são adereço
De névoa vespertina em sombra áspera.

Cais de esperas, de naus e caravelas
fundeadas em sonhos verde-mar,
ao longe, o clarim das sentinelas
Angra toda é um lago de luar

Maré cheia, beleza singular!
Nos meus sonhos, imersa em maresia,
vejo naus que entram na baía…
cidade quinhentista olha o mar!

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