sexta-feira, 15 de abril de 2011

Circo de fogo

Envergo o fato e o chapéu,
pinto a cara,
entro em cena disfarçado
para fazer de idiota
num circo que não é meu
Dou risada,
faço o pino,
tropeço, dou cambalhota,
rodopio em desatino
sorrindo para a multidão
e as crianças acham graça
à lágrima que, desenhada,
escorre do rosto para o chão
Digo e faço habilidades,
desacatos,
e finjo que são dislates...
Grito loas e poemas
que merecem ovação,
todos riem e aplaudem
mas não vêem a verdade
que o palhaço e o poeta
ambos fingem o que são.
Em bandeja prateada
que passa de mão em mão
sirvo a todos na bancada
sangrando, o meu coração.
Pois quando as luzes se acendem
sou um palhaço possesso,
neste espectáculo a que assisto
sem ter comprado o ingresso

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