domingo, 23 de outubro de 2022

Poema sem nome



Perdi-me

a procurar dentro de mim

um verso

que tivesse início e fim

mas, quando percebi

estava longe,

na esquina da solidão,

onde o poema se esconde

nas frases que não escolhi,

no fundo do coração.

Aqui, o tempo, áspero e rude

(feito de horas paradas,

de silêncio, de ilusão,

de dolorosa inquietude)

aguarda que nasça o dia.

E quando isso acontece,

rasgo a meio as madrugadas

e o poema amanhece!

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