Em todas as esquinas
há luzes, sons, odores pelo ar,
nas ruas desertas, crenças peregrinas
chegam de longe p’ra nos abraçar.
Noite de Natal!
Dizem que nasceste
num dia de inverno como este, tão igual,
fazem-te o presépio onde amanheceste,
apenas se cumpre o eterno ritual.
Mas tu trazes a dor que há-de vir
presa na carne tenra, imaculada
na alma, o ardor primaveril,
na fronte, uma coroa inacabada.
Olhas, de longe, esta humanidade
tão vazia de Amor, tão desigual
e tristemente vês que a iniquidade
continua sendo a mácula original.
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