Este poema é feito de memórias
doces e ternas que não vou esquecer,
de quando meu pai me contava histórias,
nas noites frias para me adormecer
É feito de Natal gelado e santo
em que o presépio era o Deus-Menino
de pé no pedestal, com o seu manto
cercado de laranjas e de trigo fino
Noite de Natal, tão gelada e escura
p’rá missa do galo já tocam os sinos,
estrelas e nuvens no céu à mistura,
lá vamos em fila como peregrinos.
Mal adormeço, já amanheceu…
corro descalça para a chaminé,
sonhei com as prendas que o Jesus me deu
há figos passados e uma boneca até!
Boneca de pano, tão linda! Tão linda!
Os meus olhos brilham, parecem luzeiros.
Ah! Quem me dera ser menina ainda
quando os Natais eram mais verdadeiros
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