terça-feira, 28 de novembro de 2017

Deambulação

Por vezes,
a noite fica inquieta
como se esperasse alguém,
talvez uma ave em alerta
gritando alto a dor de quem
sabe que o grito liberta

Por vezes,
há no sossego da noite
uma certeza, uma prece,
e uma sombra que acoita
aquele que d’amores padece
e a ser feliz não se afoita

Por vezes,
a alma insana vagueia
por entre rendas e folhos,
perde-se, e apenas tateia…
porque se abrir os olhos
pode enredar-se na teia

Por vezes,
as ondas do teu cabelo
são um mar de navegar,
perigoso, mas tão belo
como nuvens que ao luar
fazem secreto novelo...

E às vezes
nesta deambulação
pela noite, pelo mar,
A maior fascinação
é ainda o teu olhar
cor da rocha, furacão  
que me leva a naufragar!









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