quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Tarde de Outono






Tarde de Outono!
Silêncio…
Deixa-te ficar sentada
nos degraus carcomidos
da memória.
Espera a noite...
e espreita p'la janela
aberta do passado,
desta casa velha
com história.

Depois, entra,
e pousa demorado olhar 
sobre os retratos velhos
sem moldura,
nem dedicatória.
Vês aquele espelho baço?
Foi a fiel sentinela,
de sonhos adiados
e de batalhas perdidas
sem glória...


Silêncio!
Não contes a ninguém
que aqui dentro viveu,
em tempos idos,
uma menina de olhos como astros

Escuta a voz (serão gemidos?)
da alma dos poemas,
outrora escritos
em pedras da cor
dos alabastros

E sonha,
com a fronte encostada
no postigo,
que a menina não morreu
e está contigo.


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