sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Num Setembro qualquer




Os garajaus partiram!
É já Outono...
Para trás, fica o penhasco de lava
embebido no mar.
Ao sabor do vento,
as folhas tombam
como se tivessem sono...
E o tempo escorrega,
lentamente,
por entre os dedos
da ilha...

E eu?
Não sei se vou,
se fico...
O corpo vai,
o espírito, esse...
transpõe o espaço,
faz o percurso contrário,
vagueia,
lembra o passado,
e aí fica
preso, fascinado...

Vou, com total vontade de ficar...
Para trás,
fica a saudade
de já sentir saudade de tudo,
fica uma angústia que magoa
e que me não larga.
Afinal, comigo, o que vai?
Apenas pouco...
A espera de quase tudo
e a conquista de quase nada...

Há pouco, corria pela praia!
Há pouco, o mar adormecido
tinha rastos de luz.
Há pouco, passeava pelas ruas,
e um cigarro, meio fumado,
tombava por entre os dedos...
Há pouco, o cheiro a maresia...
Há pouco, a hora da partida!
Há pouco, havia tudo,
agora...

só a memória viva,
onde a alma da gente
permanece cativa!



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