quinta-feira, 7 de junho de 2018

Poema a uma baleia que comia plástico



Estás morta!
Quem te matou não importa
Estás morta!

Em tempos, homens caçaram-te.
Alguns p’ra sobreviver
E outros para vender
O teu corpo e os teus dentes.

Mas outros homens vieram
E disseram:
Nunca mais!

Todos ficamos contentes
Mas também inconscientes
Deitamos ao mar, plástico,
latas, lixo, detergentes…
e tu não reconheceste
a maldade que fizemos
ao teu mar!

Viste, mas logo pensaste:
Homens bons que me salvaram
Não vão voltar a matar

E comeste!

Adeus baleia formosa
Criação da natureza
Que no estertor da agonia
Nos disseste:

Tem cuidado, homem, que um dia
É de plástico o teu mar!

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